quinta-feira, 24 de novembro de 2016

LIVRO - NÃO CONTA LÁ EM CASA

Eu me interessei por esse livro quando ouvi esse podcast do blog que eu amo chamado O Nome Disso é Mundo. No áudio, o André que é um dos idealizadores do programa homônimo do Multishow - Não Conta lá em Casa -, fala um pouquinho das viagens pouco convencionais que ele fez com sua equipe, composta por mais três rapazes, ao redor do mundo. Na primeira temporada, eles viajam por países conhecidos como o Eixo do Mal, tais como Coréia do Norte, Afeganistão, Sudão, dentre outros lugares que um turista normal jamais pensaria em pisar. E a ideia do programa era tentar desmistificar esse conceito ou apenas comprová-lo.

"Os seres humanos são parte de um todo, 
Na criação de uma única essência e alma. 
Se  um  membro sofre dor,
Outros membros permanecerão inquietos. 
Se você não tiver respeito pela dor humana, 
Você não pode ser considerado  humano." (poeta persa Saadi e está gravado   no  saguão de entrada do prédio das Nações Unidas, em Nova  York.)
  


“Não se trata de conhecer lugares, mas de conhecer pessoas.”

E ao final dessas viagens incríveis, o André acabou escrevendo um livro de memórias, cheio de fotos interessantes, contando como foi essa experiência. E o que me chamou a atenção é que o livro é extremamente bem escrito e detalhado. Ele é imenso, contém diversos capítulos, cada qual contando sobre a viagem a um país diferente e dentro desses capítulos, eles também são divididos por experiências, dias, pessoas que conheceram, etc. A leitura é simplesmente deliciosa, porque ao mesmo tempo que a matéria é muito instrutiva, contando um pouco mais afundo sobre o que realmente rola dentro desses países, alguns dos quais sequer ouvimos falar como Mianmar, também mostra um pouco dos perrengues, das experiências gratificantes que tiveram, 

E há passagens muito divertidas. Vou colocar abaixo algumas delas: 

"Segurando a mochila com os dentes, o papel higiênico com a mão esquerda e escorando a porta com a direita, me vi em um esquete de filme do Jerry Lewis por alguns tensos minutos. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Na saída, fiz questão de passar no templo muçulmano que ficava logo ao lado. Agradeci o sucesso em minha primeira experiência  multicultural no Oriente  Médio, onde  ir  ao banheiro ou um  simples pedido no Burger King pode reservar as surpresas mais  inesperadas."

"Texano de meia-idade, que apesar da barriguinha saliente era forte como um touro, Jim discursava para a classe como se fosse um misto de herói de guerra,super-homem e líder espiritual. E a impressão que dava era que a turma toda o via  mesmo dessa  maneira. cada  frase de impacto ele fazia uma pausadramática para inserção dos “ooohhhsss” de admiração    de sua plateia, que sempre correspondia com timing perfeito. Auxiliado por um tradutor, ele apresentava para turma temas do tipo: “Como se portar em uma briga de facas”, “Fugindo de  um tiroteio”, “Voando com terroristas” e por aí vai. Esse conteúdo programático era sempre precedido de um episódio ilustrativo em que o próprio Jim era personagem principal. No qual, invariavelmente, era herói que salvava a todos com seu instinto de sobrevivência e bravura. turma ouvia embevecida, como se tratasse dos relatos reais da vida de  Chuck Norris."

"Até que nossos algozes de quatro patas começaram a surgir perfilados de dentro de seu estábulo de pau a pique.  Como  em  uma  passarela de moda,eles iam dando o ar da graça um a um. Cada qual mais pangaré que o outro! Eram versões decrépitas do que a gente tinha imaginado. Os bichinhos eram verdadeiros anciãos de duas corcovas! Devidamente ornamentados para a ocasião, eles pareciam árvores de Natal decoradas por uma versão persa da Lady Gaga sob efeito de ácido. Vinham se arrastando lenta e preguiçosamente, como quem bate ponto em uma repartição pública contando os dias paraa aposentadoria. Pareciam quatro senhores de terceira idade que tiveram seu soninho da tarde interrompido. 

"Ainda no salão de embarque, percebíamos que nossos companheiros de voo eram compostos em sua totalidade pelo que poderíamos classificar como dublês do Rambo. Ex-  mariners ou fuzileiros totalmente focados em sua missão. Durante o voo, os trogloditas de cabelo raspado, mochilas militares e olhar sisudo espalhados pelas poltronas da classe econômica contrastavam com quatro jovens desavisados no estilo mezzo neo-hippie-despojado mezzo nerd- aventureiro-ouvindo-iPod, autênticos peixes fora d’água. Entre uma nervosa ida ao banheiro  e outra, Pesca finalmente conseguiu estabelecer contato com um de nossos “colegas”. Ao indagar qual seria a melhor forma de sair do aeroporto em Bagdá, recebeu de volta a pergunta: “O seu ‘comboio’ está de helicóptero ou veículo blindado?”

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