quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

VIAGEM AO LESTE EUROPEU - DIA 10 - BUCARESTE

Meu primeiro dia em Bucareste. A noite foi bem mais ou menos porque os vizinhos de cima são bem barulhentos e as paredes são finas. Mas acordei sozinha lá pelas 6 e pouco da manhã e levantei com muita calma. Me arrumei, enrolei um pouco porque ainda era bem cedo e saí para desbravar a cidade.

apê em Bucareste

A parte boa é que eu descobri que meu apê fica absurdamente bem localizado e todos os lugares que eu precisava ir eram muito próximos, a ponto de, se desse vontade de fazer xixi, dava para voltar para o quarto e fazer por lá! A princípio, fui andando mesmo a esmo, fotografando pontos bonitos e, quando me dei conta, já tinha visto uma série de spots que estavam no meu roteiro.

rua com portas e janelas super antigas

Entrei numas 4 ou 5 igrejas ortodoxas, todas muito bonitas, fiz comprinhas de souvenires e até comprinhas em brechó. A maior das igrejas que eu fui nesse dia foi a  Biserica Sfântul Anton (Igreja de Santo Antônio), que é lindíssima. As origens da igreja remontam ao século XVI. Por fora também é bem interessante e tem banheiro gratuito e limpinho, que usei algumas vezes!

A Igreja do Monastério de "Stavropoleos", super pequenininha e escondida no meio de grandes construções no centro histórico foi minha favorita.  “Os padroeiros da igreja (os santos aos quais a igreja é dedicada) são os arcanjos Miguel e Gabriel. O nome Stavropoleos é o caso genitivo de Stavropolis que significa “cidade da cruz”. Um dos interesses constantes do mosteiro é a música bizantina, expressa por meio do seu coro e da maior coleção de livros de música bizantina da Roménia. A igreja foi construída em 1724”

Eu não tenho a menor condição de dizer todos os lugares em que estive nesse dia, porque a real é que andei muito, entrei e sai de vielas, de lojas, de igrejas... vou deixar que as fotos falem por si!

Num determinado momento, resolvi ir ao supermercado, que ficava a uns 20 minutos andando (parece pouco, mas com sacola na mão o negócio muda um pouco de figura!). precisava abastecer a geladeira para o café da manhã e também algumas refeições, lembrando que estava num Aibnb. Fiquei um tempo por lá porque é realmente muito estimulante ver o que pessoas de outros países comem e também bastante difícil analisar o que é cada coisa numa língua diferente.

De volta ao apê para deixar as compras, acabei almoçando um risoto congelado comprado no mercado. Nesse ponto, como já tinha feito todo o roteiro do dia, resolvi ir ao Parlamento, que também ficava super perto do meu prédio, mas do lado oposto da avenida. Mas, para a minha decepção, quando cheguei lá, os ingressos estavam esgotados não só para esse dia, mas para toda semana. Então, acabei gastando mais din din e reservando com o Get Your Guide uma excursão completa: Parlamento + Casa Ciaucescu + Um museu de vilas que queria visitar, mas que é super fora de mão.

Sendo assim, como meu dia seguinte estava cheio e eu estava com a tarde livre, voltei novamente ao apê e peguei os tickets dos museus de arte que veria no dia seguinte. Os dois ficam no mesmo complexo, a uns 20 minutos do hotel, numa região super bonita: Museu Nacional de Arte e Museu Nacional de História da Romênia.

Restaurant Hanu' lui Manuc - um dos mais antigos

Cărturești Carusel - uma das mais belas livrarias do mundo

Os prédios de ambos são lindos, imponentes e têm um ar condicionado maravilhosamente providencial, porque o dia estava bem quente. “O Museu Nacional de Arte da Romênia está localizado no Palácio Real na Praça da Revolução, no centro de Bucareste. Possui coleções de arte romena medieval e moderna, bem como a coleção internacional montada pela família real romena.” E o  “O Museu Nacional de História da Romênia contém artefatos históricos do país desde a pré-história até os tempos modernos. O museu está localizado no interior do antigo Palácio dos Serviços Postais que também abriga um museu filatélico “.

Devo dizer que os dois me tomaram muito mais tempo do que eu imaginava. Eu fiz O Museu Nacional de Arte primeiro e não me arrancou suspiros. O prédio é lindíssimo, mas não tem muitas obras emocionantes ou famosas. Mas o Museu de História é bem incrível. Ele conta com vários andares e tem muitos objetos, artefatos... ele não é tão organizado quanto o da Hungria, no sentido de realmente contar a história do país, mas ele conta com peças muito imponentes. Eu fiquei maravilhada, não esperava por aquilo. ungria, mas

Museu de História

Saí de lá umas 17hs, absolutamente exausta! Ainda andei mais pelo centro, para aproveitar o dia, especialmente porque ainda estava claro e o apê ficava próximo. Comi noodles e voltei porque ia começar a chover e eu havia recebido um aviso da Defesa Civil no celular. No final das contas, parece que a coisa havia sido meio feia no interior, mas achei a chuva bem mais ou menos. O único dano foi uma janela quebrada no prédio, porque simplesmente ninguém cuidou de fechar, e os vidros acabaram ficando pelo chão a semana toda!!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

VIAGEM AO LESTE EUROPEU - DIA 09 - TIMISOARA E CHEGADA À BUCARESTE

Acordei sozinha umas 7:30hs. A noite foi boa, mas o colchão da cama era muito ruim, eu praticamente dormia na mola, então acordei meio dolorida. Me arrumei bem devagar porque não tinha pressa nenhuma e umas 9:30hs fiz o check out. Deixei as malas numa salinha reservada e fui passear.

Eu estava enganada quando achava que no dia anterior havia visto tudo em Timisoara. A verdade é que uma das praças principais ainda não havia sido explorada. E eu cheguei por lá meio que no susto porque não sabia nem que existia aquele local. Por lá, muitos jardins bonitos, casas coloridas e uma catedral ortodoxa ao fundo.

A igreja era imensa e lindíssima tanto por dentro quanto por fora. Mas sempre acho as igrejas ortodoxas muito escuras porque eles não acendem muitas luzes. Também fico um pouco constrangida de tirar fotos porque o povo vai pra lá para rezar mesmo e eu fico um pouco acuada. Mas havia uma porção de turistas ali além de mim e o rolê rendeu boas fotos.

A catedral é a sede do Arcebispado de Timișoara e da Metrópole de Banat. É dedicada aos Três Santos Hierarcas: Basílio Magno, Gregório, o Teólogo, e João Crisóstomo. Construída numa área de 1.542 m², possui 11 torres, das quais a central tem 90,5 m de altura, tornando-a a segunda igreja mais alta da Romênia, depois da Catedral da Salvação do Povo em Bucareste. Em julho de 1919, parte do Banato foi unida à Romênia. A nova administração romena tomou uma série de medidas para incentivar a ortodoxia, negligenciada pela administração austro-húngara anterior, que era favorável apenas à religião católica. Assim, o Bispado de Timișoara foi criado, elevado à categoria de arcebispado em 1939, e em 1947 foi estabelecida a Metrópole do Banato.”

Daí pra frente, eu meio que comecei a flanar pela cidade, porque já não havia muito o que ser visto. Cheguei ao Bastião de Thereza, em homenagem à imperatriz austríaca Maria Theresa, que é a maior peça preservada da muralha defensiva da fortaleza austro-húngara de Timişoara. Abrange cerca de 1,7 hectares do centro da cidade. Foi construído entre 1732 e 1734. Mas não tem nada demais, é só uma parede.

Por lá, havia uma exposição mequetrefe, paga, de trajes e história da região. Entrei porque não tinha o que fazer, mas meio que me arrependi porque só tinha eu por lá e o cara que tomava conta meio que ficava seguindo e eu estava com vergonha de ver tudo correndo porque não tinha interesse algum.

De lá, segui flanando pela cidade, passei pelos mesmos lugares em que havia estado no dia anterior, fiz umas comprinhas e depois almocei num restaurante ao lado da catedral católica. Comi uma salada de roastbeef, com rúcula, gorgonzola, tomate, nozes, croutons e molho de vinagre balsâmico. Estava divina!

Nas minhas andanças, ainda encontrei um parque bem grande e bonito e resolvi andar um pouco por lá e tirar fotos. Mas passado um tempo, chegamos à conclusão de que realmente não havia mais o que fazer e lá pelas 13hs, comecei o retorno ao hotel para pegar as minhas malas. Umas 14:30hs eu já estava no aeroporto e cheguei tão cedo que fiquei um tempão sentada num banco do mini saguão esperando abrir o check in.

Despachei minha bagagem – estava incluso – estava com 15,6kg. Depois segui para o raio x, onde cismaram com as bisnagas de páprica trazidas do país vizinho, mas passei com elas, para a felicidade da minha mãe. Embarquei no horário marcado e pousei em Bucareste às 19:25hs num voo tranquilo, curto, num avião velho e sem ninguém do meu lado.

Aí veio o perrengue! Pegar as malas foi rápido e tranquilo, o difícil foi pegar o Uber, que inclusive saiu super caro. Eu tive que cancelar algumas viagens porque ninguém conseguia entender onde eu estava e eu não conseguia entender onde o motorista estava... fiquei quase 1 hora nesse rolê. Até que um motorista mais atencioso conseguiu se esforçar um pouco mais e me achou. Ele arranhava um pouco o inglês e foi batendo papão comigo o caminho todo. O que ele não conseguia falar, jogava no Google Tradutor. Ele foi um amor e me contou uma porção de fatos sobre o país, respondeu a todas as milhões de perguntas que eu sempre tenho... enfim, foi ótimo.

Aí a chegada ao prédio foi especial. Primeiro, estava escuro, não tinha ninguém na rua e eu precisava achar a entrada certa, com a casinha da chave, colocar a senha e entrar no prédio. Mas o motorista do Uber havia me deixado na rua debaixo e eu não tinha me atentado. Fiquei um tempão meio desesperada tentando me encontrar, até que fiz uma chamada de vídeo com o proprietário e tudo se resolveu.

Agora, pausa para um capítulo de Chaves. O meu apê ficava no 6º andar. Então, como estava com mala, chamei o elevador. Mas, o elevador não só é daqueles minúsculos, que só cabem vc e a mala, como é daqueles velhos, que as portas fecham com aquela grade. Entrei? Óbvio que não! Mas achei que minha mala merecia esse agrado. Então, deixei ela lá, fiz o procedimento, apertei o andar e subi correndo.

Mas, quando cheguei lá em cima (esbaforida), percebi que o elevador não tinha saído do térreo. Então, desci tudo correndo para ver o que tinha acontecido. Mas, quando cheguei lá embaixo, alguém tinha entrado no elevador e ele parou no 8º andar. Achei ótimo. Então, esbaforida, suando por dentro e já sem pernas, eu subi correndo até o 8º andar, com a intenção de catar minha mala e descer dois. E foi o que eu fiz!

Aí, já no sexto andar e com a mala, eu comecei a procurar o apê 169, que era o número que estava escrito na chave. Mas era 164... enfim... depois de um momento emocionante, eu consegui entrar no apê, que não só era muito bom, como também era extremamente bem localizado. Devido ao horário, tomei um banho e fui dormir!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

VIAGEM AO LESTE EUROPEU - DIA 08 - CRUZANDO A FRONTEIRA - TIMISOARA

Acordei às 5hs e pouco com uma baita dor de cabeça e nariz muito entupido. Juro, a sensação que eu tive é de que eu passaria a viagem inteira com algum tipo de dor, me sentindo mal de alguma forma. Tomei um Ibuprofeno, mas já estava preparada para o Tylenol Sinus caso fizesse necessário. Não foi, deu tudo certo e depois de um banho já em sentia revigorada. Comi os pãezinhos meia boca que havia comprado no dia anterior e às 06:20hs peguei um Uber com o Péter, um cara bem simpático, de rabo de cavalo.

prédio/hotel na frente do meu em Budapeste

Pouco tempo depois, já estava na estação de trem com destino à Timisoara na Romênia. Peguei um trem bem velho e me sentei no assento dos bobos com uma mesa na frente. Do outro lado estava uma moça, mas ao meu lado não tinha nada. Pude ficar com a mochila no assento vizinho e deixar minha mala a vista, o que já era de grande alívio. Como aconteceu na viagem toda, eu não tinha 100% de certeza de estar no trem certo, no vagão certo ou no assento certo (no final das contas, sempre estive certa).

Às 12:30hs, cruzei a fronteira com a Romênia. A checagem de passaporte aconteceu dentro do vagão. Ainda bem que o trem não estava cheio, pois os policiais foram vendo um a um! O meu foi tranquilo. Eu sempre acho que o Visto americano te garante a entrada em todos os lugares, é tipo um passaporte universal. Não sei de onde a moça que estava na minha frente era, mas demoraram muito mais nela.

O curioso é que, enquanto estávamos na Hungria, parecia que estava mais fácil. Depois que cruzamos a fronteira, todas as paradas pareciam muito mais demoradas, com 30 minutos de espera. Fiquei apreensiva porque não sabia se aquilo tinha sido previsto ou se eu chegaria super atrasada no destino. A previsão inicial de chegada era às 13:50hs e o hotel já havia me enviado as instruções para entrada no quarto.

Cheguei na estação quase 14hs, ou seja, dentro do previsto, e peguei um Uber quase na mesma hora. Na porta do hotel, digitei o código, depois subi dois andares, o que é sempre maravilhoso quando estamos com malas, e digitei outro código, desta vez na porta do quarto nº 06 para pegar a chave. O quarto se mostrou bem aconchegante, pequeno, mas com tudo o que me era necessário. O lugar também me parecia bem tranquilo. Da janela, dava para ver uma residência, de pessoas simples.

Eu descansei um pouco, afinal de contas estava desde as 5hs na função “mudança de país” e logo saí para dar uma explorada. Perto do hotel, achei que estava comprando um shawarma, mas era mais um shawarma desconstruído, que vinha dentro de uma marmita de isopor. Imensa!!! Estava tomando contato pela primeira vez com a língua e a grana, então ainda estava confusa. Achei melhor voltar para o hotel e comer por lá. O que sobrou, acabei colocando na geladeira.

Satisfeita e com o bucho cheio, saí em direção ao centro, que ficava a uns 30 minutos do hotel. Passei por um rio bem bucólico, onde pessoas andavam de barco, depois cruzei a ponte  Passei por uma escola, igrejas, e finalmente cheguei no centro de Timisoara, que é meio que composto por várias praças enormes e ruas fofas, cheias de restaurantes e lojinhas. Estava quente demais, importante dizer.

“O povoamento da área onde se encontra a cidade moderna remonta à Antiguidade. Embora não existam registos escritos anteriores a 1177 (embora alguns historiadores considerem que haja menções anteriores à fortaleza datadas de 1154 ou de 1019), há vários vestígios da presença humana. A primeira civilização identificável é a dos dácios e durante o período romano existiu um povoado na área, que persistiu durante as sucessivas ocupações (de ostrogodoshunosgépidasávaros) que se seguiram à retirada dos romanos. A partir de 630, a região pertenceu ao Primeiro Império Búlgaro e a partir do início do século X passou a ser dominada por húngaras. Foi parte do Reino da Hungria, do qual foi brevemente capital na primeira metade do século XIV, quando o rei Carlos I da Hungria ali se instalou entre 1315 e 1323, quando grande parte do território do seu reino estava nas mãos de alguns tartományúrs (oligarcas feudais) que na prática lhe recusavam vassalagem.

Em meados do século XIV, Temesvár estava na linha da frente da guerra entre a Cristandade e os otomanos muçulmanos. Cruzados franceses e húngaros encontraram-se na cidade antes de partirem para a Batalha de Nicópolis, em 1396, onde foram derrotados. João Corvino (Ioan de Hunedoara), voivoda da Transilvânia, usou a cidade a partir de 1443 como um reduto militar contra os otomanos, tendo construído uma poderosa fortaleza e reconstruído o palácio real de Carlos I, atualmente conhecido como Castelo de Huniade, o monumento mais antigo da cidade.

Temesvár foi repetidamente cercada pelos otomanos em 1462, 1476, 1491 e 1522. Em 1514, a maior revolta de camponeses na história da Hungria foi derrotada numa batalha perto de Temesvár O seu líder sículo György Dózsa (Gheorghe Doja em romeno) foi torturado e executado, juntamente com 40 a 60 mil rebeldes. Em 1552, a cidade foi conquistada pelo Império Otomano e durante pouco mais de um século foi capital do eialete (província otomana) de Tımıșvar.

Em 1716 foi conquistada pela Monarquia de Habsburgo e pouco depois recebia a primeira de várias vagas de colonos alemães (suábios do Danúbio). Ao longo do século XVIII os cursos dos rios Timiș e Bega foram regularizados e foi construído o Canal do Bega, que ligou a cidade a BudapesteViena e às principais vias fluviais da Europa. Em 1781 recebeu do imperador José II o privilégio de "cidade livre real". Em 1849, durante a revolução húngara, Temesvár foi cercada por tropas revolucionárias, que seriam esmagadas na Batalha de Temesvár, travada em 9 de agosto.

Na sequência do colapso da Áustria-Hungria após a Primeira Guerra Mundial, o Banato era disputado pela Sérvia e pelo Roménia. Timișoara foi ocupada em 15 de novembro de 1918 por tropas sérvias, que no entanto retiraram pouco depois. A 3 de dezembro desse ano chegam à cidade tropas coloniais francesas para evitar confrontos entre sérvios e romenos. Em 28 de julho de 1919 é instalada uma administração romena na cidade, que em 3 de agosto recebe tropas romenas. Nos termos do Tratado de Trianon de 1920, é formalizada a partição do Banato entre a Sérvia e a Roménia, com Timișoara nos dois terços da região que foram atribuídos à Roménia.

Foi em Timișoara que estalou a Revolução Romena de 1989, que poria fim ao regime comunista do ditador Nicolae Ceaușescu.“

Igreja Ortodoxa Sérvia

Eu amei a cidade. Achei super aconchegante e charmosa. A região central é uma graça, mas bem pequena, então, a real é que meu final de tarde e minha manhã do dia seguinte seriam suficientes a conhecer tudo. Entrei na Catedral e numa igreja Sérvia que fica no lado oposto e fiquei apenas flanando pela região. Às 18:30hs voltei para o hotel porque já estava bastante cansada.