quinta-feira, 26 de março de 2026

VIAGEM AO LESTE EUROPEU - DIA 14 - VISCRI E SIGHIȘOARA

Acordei às 6:10, tomei um banho, café da manhã e me arrumei com calma. Às 7:30hs já estava na rua com direção ao centro da cidade, lembrando que do apê até lá, dá 40min andando. Às 9hs encontrei a minha guia do dia.


De cara fiquei meio puta, porque o tour seria só pra mim, o que significava que eu teria que usar bastante do meu inglês e manter o carisma o tempo todo, coisa que não é a minha praia. Mas, no final das contas, apesar de ter sido um dia bem cansativo exatamente por conta disso, eu fiquei muito orgulhosa de ter entendido tudo o que foi dito e de ter sido entendida. Apesar do meu inglês não ser fluente, ele presta para uma comunicação completa e acho que basta!

1ª parada: Viscri, um vilarejo mega rural, super silencioso, com meia dúzia de casinhas coloridas. Aquele típico lugar onde a vida não passa. A guia, inclusive, me explicou que o povo de lá passa o verão inteiro trabalhando e no inverno eles fazem nada! Vimos até uma vaca andando livremente pela rua! “Viscri é uma pequena vila situada na região da Transilvânia, no centro da Romênia, conhecida por preservar de forma exemplar a arquitetura rural saxônica e um modo de vida tradicional que parece ter parado no tempo. Com pouco mais de algumas centenas de habitantes, o vilarejo é famoso por suas casas coloridas, ruas de terra batida e paisagem campestre intocada.”

A primeira e única parada foi a Igreja Fortificada de Viscri (Biserica Fortificată din Viscri), “construída originalmente no século XII por colonos saxões. Trata-se de um complexo religioso e defensivo, típico das comunidades saxônicas da Transilvânia, que precisavam proteger-se de invasões durante a Idade Média.A igreja é cercada por muralhas altas, torres e estruturas de armazenamento onde os moradores guardavam provisões em caso de cerco. O conjunto integra a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO, dentro do grupo de “Vilarejos com Igrejas Fortificadas da Transilvânia”.

Do lado de fora, tive que comprar o ticket pra entrar – nem sabia que teria que fazer isso. Por lá, a caseira guarda uma série de cães lindos e imensos. Alguns são dela e outros estão ali para doação. Brinquei muito com eles e fiquei contente em saber que minha guia era loucura por bichos assim como eu.

Começamos pela igreja, cujo interior mantém elementos originais, como galerias de madeira, altar simples e uma atmosfera austera que reflete a tradição luterana dos saxões. E é muito bonita! E dá para ver que é bem antiga.

De lá, passei por um pequeno perrengue para subir até o mirante. O caminho era estreito, cheio de escadarias e, por um momento, achei que fosse ter problemas com a minha claustrofobia. Mas, o fato de estar absolutamente vazio ajudou muito e eu cheguei no topo sem problemas. E fiquei contente de ter feito isso, porque a paisagem de lá de cima é muito interessante, dá para ter idéia de como é a vida na região: tédio.

Na parte debaixo, há um museu muito legal, integrado por objetos doados pelos próprios moradores. Por lá há teares, roupas, utensílios domésticos, moveis, moedas e todo tipo de tranqueira. Achei bem legal. Me senti um pouco nos livros do Ken Follet  da Saga Os Pilares da Terra.

Próxima parada: Sighișoara. “É uma das cidades medievais mais bem preservadas da Europa e está localizada na região histórica da Transilvânia, na Romênia. Fundada no século XII por colonos saxões alemães, a cidade mantém até hoje sua cidadela murada, torres de defesa, ruas de pedra e casas coloridas que preservam a atmosfera medieval original. O centro histórico, conhecido como Cidadela de Sighișoara, é Patrimônio Mundial da UNESCO e possui uma característica rara: continua sendo habitado, o que mantém viva sua identidade histórica.

O principal símbolo da cidade é a Torre do Relógio, construída no século XIV, que funcionava como porta principal da fortificação e centro administrativo. Do alto da torre, é possível ter uma vista panorâmica das colinas da Transilvânia e dos telhados coloridos da cidadela. Entre outros pontos marcantes estão as antigas torres das corporações de ofício, cada uma historicamente defendida por uma guilda específica, a Igreja da Colina e a Escadaria Coberta dos Estudantes, construída em 1642 para proteger os alunos das intempéries durante o trajeto até a escola.”

Na verdade, meu real interesse pela cidade, que sim, é uma gracinha, é porque ela é conhecida por sua ligação com Vlad Țepeș, “o governante do século XV popularmente chamado de Vlad, o Empalador. Ele nasceu na cidade em 1431, quando seu pai, Vlad II Dracul, membro da Ordem do Dragão, ali residia temporariamente. A casa onde Vlad teria passado parte da infância ainda existe e é conhecida como Casa de Vlad Dracul, atualmente funcionando como restaurante e ponto turístico.”

Andamos um pouco pela cidade, que é minúscula e bem gracinha. É aquele tipo de lugar que em 1 hora você vê tudo. Mas, o problema de estar com uma guia e ser a única do grupo, é que eu não tinha liberdade nenhuma para andar por conta. Em determinado momento, a guia me deixou por conta, mas ela me deu apenas 30 minutos. Como eu não havia almoçado e estava faminta, usei parte desse tempo para comer um langosh – que estava divino e muito mais sequinho que o da Hungria. Entrei em algumas lojinhas, comprei souvenires e me encantei num antiquário, que queria ter tido mais tempo para explorar.

Passamos por uma igreja (Igreja da Colina (Biserica din Deal)) que, infelizmente, teve quase todos os afrescos destruídos pelo comunismo. Ela é um dos monumentos góticos mais importantes da Transilvânia. Localizada no ponto mais alto da cidadela, ela foi construída entre os séculos XIV e XV pelos colonos saxões e dedicada originalmente a São Nicolau. Para alcançá-la, é preciso subir a famosa Escadaria Coberta dos Estudantes, construída em 1642 com a finalidade de proteger alunos e fiéis da chuva e da neve durante o trajeto até a igreja e a antiga escola. A escadaria, feita de madeira, é hoje uma das atrações mais características da cidade. Embaixo do altar da igreja, há uma série de túmulos, mas de pessoas desconhecidas e sem sinalização.

Voltamos conversando mais um pouco – nesse momento meu carisma estava zerado e meu cérebro já estava derretido e com dificuldades em raciocinar em inglês. O assunto também já estava no fim.

De volta a Brasov, dei um giro por lugares onde não havia estado no dia anterior, usei o banheiro, fiz algumas comprinhas e fui ao Carrefour. Cheguei ao apê apenas à noite.

quinta-feira, 5 de março de 2026

VIAGEM AO LESTE EUROPEU - DIA 13 - BRASOV

Acordei super cedo para conseguir arrumar tudo com bastante calma. Tomei café, dei uma ajeitada no apê e saí de casa às 7:30hs com minhas malas pela escada, porque já contei o perrengue da chegada e não pretendia me arriscar no elevador novamente. Chamei um Uber , que chegou super rápido, e em cerca de 15 min estava na estação de trem, que estava absolutamente abarrotada e muito muvucada.

Havia um painel central, daqueles que a gente tem que ficar olhando pra ver qual plataforma vai sair o trem, mas faltando 15 minutos para o horário, ainda não tinha visto qualquer menção sobre minha viagem, informação... nada. E aparentemente estavam todos na mesma situação, porque tinha muita gente, mas muita gente mesmo por lá! Quando apareceu o número 09, rolou uma mega aglomeração, porque era exatamente atrás do painel e quem estava por lá não saiu da frente. E, para ajudar, ainda tinha uma excursão de adolescentes no meu trem e os pais que foram levar os filhos até a porta também não saiam da frente... olha... que caos.

Fui sentada no meio da excursão e numa mesa com 3 (três) meninas. Foi tranquilo e a sorte é que elas desceram umas 2 estações antes da minha, porque todos estavam com muitas malas grandes e demoraram muito para sair do trem e porque eu havia deixado minha mala lá na frente (torcendo para que ela estivesse lá quando eu saísse!). Esqueci de dizer, no meio da viagem, a mala que estava em cima de nós caiu na cabeça da menina do meu lado. Fiquei meio desesperada porque poderia ter sido grave, mas não deu nada.

De cara, me apaixonei pela paisagem de dentro do trem, com muitas montanhas e florestas. Dava para notar que o clima estava mais frio (não sabia o quanto!). Já em Brasov, como a estação de trem ficava a apenas 15 minutos do apê, resolvi ir andando. O problema é que minha mala estava com a rodinha quebrada, então o que parecia fácil, foi meio caótico e eu cheguei no destino exausta. Como ainda não estava na hora do check in e o apê ainda estava desarrumado, deixei minhas malas por lá e fui rolezar. O que eu não sabia (ou sabia e não tinha me atentado), é que o lugar ficava a 40 minutos do centro histórico...

Ah, tive que fazer uma chamada de vídeo com a anfitriã porque havia uma mágica para fechar a porta do lugar... anotem essa anfitriã porque mais pra frente voltaremos a falar dela.

Muito bem, segui para a cidade e me apaixonei. Apesar do dia nublado, frio e chuvoso e do fato de eu não ter levado nenhuma roupa adequada para esse clima, Brasov se mostrou uma cidade belíssima e muito pitoresca. Várias ruas super gostosas, cheias de lojinhas, restaurantes e muita coisa para ver. Almocei num restaurante na rua principal e comi polenta com frango ao molho de cogumelos – estava uma delícia.

De estômago cheio, saí desbravando a cidade. Primeiro, fui à Dormition of the Mother of God Church, “construída entre 1896 e 1899, o que significa que tem mais de 125 anos de história. Ela foi erguida para atender à comunidade ortodoxa romena da cidade, que crescia significativamente no final do século XIX, durante um período de afirmação cultural e religiosa dos romenos na região da Transilvânia, então parte do Império Austro-Húngaro.

O projeto seguiu o estilo neobizantino, inspirado nas tradições arquitetônicas ortodoxas, com cúpulas, elementos ornamentais e um interior ricamente decorado com ícones e pinturas religiosas. Ao longo do século XX, a igreja tornou-se um importante centro espiritual e cultural para os fiéis ortodoxos de Brașov, mantendo até hoje sua função religiosa ativa e sendo considerada um marco histórico e arquitetônico da cidade. “

Essa era grátis. Depois, comprei o ticket para visitar o cartão postal da cidade: a Igreja Negra (Biserica Neagră), “o maior edifício gótico do país e um dos mais importantes monumentos históricos da região da Transilvânia. Sua construção começou por volta de 1383 e foi concluída no século XV, originalmente como uma igreja católica dedicada à Virgem Maria. Após a Reforma Protestante no século XVI, tornou-se uma igreja luterana, refletindo a influência da comunidade saxônica alemã na cidade.

O nome “Igreja Negra” surgiu após um grande incêndio em 1689, que escureceu suas paredes externas com fuligem. Ao longo dos séculos, a igreja tornou-se um símbolo de Brașov, destacando-se por sua impressionante arquitetura gótica, seu grande órgão e sua importante coleção de tapetes orientais, permanecendo até hoje como um centro religioso e um dos principais pontos turísticos da cidade.”

Segui andando por todos os cantos, peguei chuva, passei frio, tirei muitas fotos e foi uma delícia. No final do dia, fiz minha peregrinação de volta para o apê e aproveitei para passar no supermercado e comprar alguns mantimentos. Aproveitei esse dia mais tranquilo para já deixar separado os looks dos próximos dias, já que todos eles estariam ocupados com tours.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

VIAGEM AO LESTE EUROPEU - DIA 12 - BULGÁRIA

Nesse dia eu calculei meio mal o horário de acordar e acabei fazendo as coisas meio na correria. Mas, no final sempre dá tudo certo. Me arrumei, tomei café da manhã no próprio apê e saí para encontrar o meu grupo do tour do dia no mesmo lugar onde havia encontrado no dia anterior, que ficava há uns 15 minutos andando. O destino: Bulgária! 

O grupo era bem interessante, composto quase totalmente por orientais de diversas partes da Ásia, incluindo um casal de senhores indianos, gente de Singapura, e outros lugares. Mas havia também americanos e canadenses, a maioria, jovens. Acabamos atrasando a saída porque havia um pessoal que tinha esquecido o passaporte em casa – o povo não lê as instruções é nisso que dá. E a  guia não escondeu a insatisfação e o mau humor.

Andamos uns 40 minutos na minivan e fomos para a fila da fronteira. Nesse momento, a guia nos explicou que o trâmite poderia durar alguns minutos ou algumas horas e que poderíamos ser parados para controle do passaporte ou não. No final, não fomos escolhidos (ainda bem)  e depois de 1 hora, cruzamos o Rio Danúbio e logo estávamos na Bulgária, numa região que parecia bem pobre e portuária.


A cidade fronteiriça, como a maioria, é bem simples e já dava pra notar um setor rural bem grande. Paramos para trocar dinheiro, porque teríamos de pagar pela primeira atração – e claro que havia uma galera na van que também não tinha lido sobre o assunto e não tinha grana para trocar. Aproveitamos e usamos o banheiro do lugar – tipo um posto de gasolina. Uns 40 minutos depois, chegamos na primeira parada:  Mosteiro de São Dimitrii de Basarbovo, que confesso que era o lugar que estava mais animada para conhecer.

“Trata-se de um mosteiro rupestre localizado na Bulgária, escavado diretamente nas rochas de um penhasco às margens do rio Rusenski Lom. É considerado o único mosteiro desse tipo ainda ativo no país e está ligado à tradição cristã ortodoxa.

O local é dedicado a São Dimitrii (Dimitar) de Basarbovo, eremita do século XVII venerado como santo pela Igreja Ortodoxa. Segundo a tradição, ele viveu em oração e isolamento nas cavernas da região, e sua vida simples e devota transformou o lugar em ponto de peregrinação religiosa.

O conjunto monástico inclui capelas, celas e pequenos espaços de culto talhados na pedra, conectados por escadas e passagens estreitas. Além da importância espiritual, o mosteiro também se destaca pela paisagem natural ao redor, sendo visitado tanto por fiéis quanto por turistas interessados em história, arqueologia religiosa e arquitetura rupestre.“

Confesso que pelas fotos do Get Your Guide, o lugar me parecia mais incrível do que realmente é, mas é adorável e bem impressionante. Muita escadaria (e causação com o casal de indianos), muita pintura nas cavernas, uma capela e muita coisa linda para ver. Na parte de baixo, há uma igreja ortodoxa mesmo, do tipo moderna e lá estava rolando um batizado. Aproveitamos a disposição do padre e tomamos um “passe”.

Depois de um xixi em pé (buraco no chão) em um dos banheiros mais nojentos em que eu já estive (detalhe que eu estava de calça), seguimos viagem – 2 horas em direção a Veliko Tarnovo, o verdadeiro destino do tour, onde ficaríamos por mais tempo.

“A Veliko Tarnovo é uma das cidades históricas mais importantes da Bulgária e foi capital do Segundo Império Búlgaro na Idade Média. Situada sobre colinas íngremes e cortada pelo rio Yantra, a cidade é conhecida por sua paisagem dramática, com casas antigas erguidas sobre encostas rochosas e ruas sinuosas que preservam o caráter medieval.

O principal marco de Veliko Tarnovo é a Fortaleza de Tsarevets, antigo centro político e religioso do império, onde ficavam o palácio real e a catedral patriarcal. As ruínas, muralhas e torres ainda dominam o horizonte e ajudam a contar a história do período em que a cidade foi um dos mais fortes centros culturais e administrativos da região balcânica.

Hoje, Veliko Tarnovo combina patrimônio histórico com vida cultural ativa. Possui universidades, museus, galerias e festivais, além de atrair visitantes pelo artesanato tradicional e pela arquitetura preservada. É um destino que une história, natureza e identidade nacional búlgara em um mesmo cenário.“

Primeiro, fomos na a Fortaleza de Tsarevets. O lugar é bem interessante, bem rústico e está em ruínas, mas a vista de lá de cima é muito impressionante. No topo, há uma igreja mais moderna, com murais muito interessantes que me lembraram as pinturas de El Greco. Chegar lá em cima foi uma verdadeira peregrinação. Super alto, muitas escadas... eu cheguei esbaforida e com as panturrilhas gritando.

O rolê durou cerca de 1 hora e 10 minutos depois, com uma pequena caminhada, estávamos na cidadezinha, onde tivemos 2 horas livres (14/16). Como a cidade era lotada de lojinhas, eu fui logo explorar todas elas e saí de lá com um carregamento de artigos típicos e comidas diferentes. O dinheiro búlgaro é bem desvalorizado e tudo por lá é mais barato do que nos outros lugares em que havia estado nos outros dias.

Comi uma bureka de queijo e achei que seria o suficiente, mas já faltando meia hora para ir embora, inventei de comer uma salada num restaurante. Na verdade, a idéia também era usar o banheiro, já que de lá, voltaríamos para a Romênia e sei lá quanto tempo demoraria na estrada. Estava muito bom, mas acho que acabei comendo mais rápido do que precisava com medo que não desse tempo.

Acabamos chegando na fila da fronteira às 18:30hs e, novamente, ficamos em torno de 1 hora por lá, sem checagem nenhuma de passaporte. Cheguei no apê umas 20:30hs! Eu curti demais esse dia e é sempre bacana dar “check” num país novo. Mas a real é que a pessoa tem que estar  disposta a ficar mais tempo dentro da van do que nas atrações em si. Mas foi um dos dias mais legais da viagem, sem dúvida.