domingo, 29 de outubro de 2017

TAG LITERÁRIA - OUTUBRO 2017 - AS ALEGRIAS DA MATERNIDADE

Esse livro chegou pra mim com essa capa linda, áspera como a vida da protagonista e eu não sabia o que esperar. Ele foi indicado pela Chimamanda, que é, talvez, a maior escritora nigeriana ou, pelo menos, a mais conhecida no ocidente, mas eu confesso que não sabia absolutamente nada sobre a escritora do livro da TAG, sob a história e eu estava apenas pensando que a temática seria triste e sofrida. Pelo menos é um pouco desse jeito que eu me sinto quando penso no continente africano.

E eu vou dizer que estava certa. Mas, também quero dizer que o livro é muito bom, muito diferente de tudo o que eu já li e eu aprendi muito sobre a cultura africana com ele. O livro nos levará para a Nigéria da década de 1930, onde ainda havia uma porção de tribos, cada qual com seus costumes, com seus rituais - muitos  deles bastante doloridos - e também havia uma Lagos em formação. Mas, sobretudo, o livro vai nos mostrar o duro e triste papel da mulher dentro dessa sociedade tão machista e vamos concluir, ao final que, guardadas as devidas proporções, o mundo não mudou tanto assim. 
Bem, Agbadi é um líder/guerreiro fodão de uma tribo nigeriana. Ele é forte, ele é respeitado, ele é bonito e muito desejado entre as mulheres. Ele tem varias esposas, mas Ona, sua amante, é a favorita e também a mais bonita. Ela é também bastante importante, a única herdeira de uma tribo vizinha. Dessa união nasce Nnu Ego, mas sua mãe morre de parto. A menina cresce e é a queridinha do pai. Já com idade para tanto, ela se casa com Amatikwu, mas não lhe dá herdeiros, situação muito complicada a uma mulher na região, já que basicamente era essa a sua função em uma sociedade. 
Muito chateada, ela acaba sendo devolvida à sua família e vai se casar com Naife Owolum, um homem feio, de Lagos e que tem uma cultura e um estilo de vida absolutamente distinto daquele em que Nnu Ego estava acostumada. Ao contrário dos homens de sua tribo que trabalham na terra e são guerreiros, Naife é lavadeiro em uma casa de homens brancos. Ele bebe muito, tem um físico relaxado e é bastante displicente com o dinheiro. Só que Nnu Ego tem de aceitar o seu destino e logo lhe dará uma penca de filhos, mostrando que não era estéril! 
Dai, a gente vai passar a acompanhar a vida do casal e dos filhos ao longo dos anos, principalmente ante as inúmeras provações nas quais passarão. E o interessante, como já disse, é o papel de cada um dentro da sociedade, o que se espera deles, como deverão agir, o que devem vestir, religião, filhos, marido, o papel da mulher, o choque de culturas entre as raças de diversas tribos, etc. 

É sim um livro triste, mas a leitura flui super fácil e ele se torna muito interessante porque a gente passa a conhecer essa cultura que não temos muito acesso. Confesso que não sei muito bem como funciona a sociedade na Nigéria nos dias de hoje, mas gostei de saber como Lagos, a capital, se formou e como era a vida naquela época.

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