sábado, 27 de maio de 2017

FILME - SETE MINUTOS DEPOIS DA MEIA NOITE

No finde passado, assisti a um filme no Netflix que estava classificado como sendo infantil. O elenco era muito bom (Liam Neeson, Felicity Jones e Sigourney Weaver) e, por alguma razão, a história me chamou atenção e o título me remeteu a algo de terror, que é um gênero de que gosto muito. Só que ele se revelou como um filme incrivelmente bonito, triste e adulto. Sim, não é de maneira alguma um filme de criança. Chorei rios e recomendo para quem curte uma boa fotografia, boas interpretações e para quem gostou de A Vida é Bela (um dos meus filmes favoritos da vida), porque a “pegada” é meio que parecida.

Muito bem. O cenário é a Inglaterra e o protagonista do filme é Connor, um garoto de 12 anos que mora com sua mãe e desenha lindamente bem. Connor é uma criança bastante retraída, bastante apegada à mãe, sem muitos amigos na escola e que sofre buyling dos “bonitões” da turma. E a gente vai entendendo a razão do comportamento do protagonista com o decorrer do filme. Sua mãe (Felicity Jones) está com câncer em estado terminal, o pai, bastante ausente, vive em Los Angeles com a nova família e sua avó (Sigourney Weaver) não é exatamente uma pessoa querida e carinhosa.

E nesse contexto “ótimo”, Connor recebe a visita, todas as noites, às 00:07hs (daí o nome do filme), de um monstro (liam Neeson), que na verdade é o Feixo do cemitério próximo à sua casa, que é assustador, mas muito querido. Essa árvore irá lhe contar algumas histórias nessas visitas – que são retratadas por aquarelas lindas, fazendo alusão aos desenhos do garoto. Connor meio que descarrega toda a sua raiva, a sua indignação para com a doença de sua mãe e sua própria condição nesse percurso à árvore e assim o filme vai se desenrolando.

Daqui para frente, haverá spoillers. A verdade é que essa árvore faz parte dos sonhos do garoto. Assim como no filme A Vida é Bela (e O Labirinto do Fauno também – gente, esse filme é incrível demais!!!), ele tenta escapar da realidade aterradora de sua vida, que se resume na iminente morte de sua mãe, através de um mundo de fantasias criado por ele mesmo. Veja que um garoto de 12 anos está praticamente sozinho, lidando com uma situação muito desgastante física e emocionalmente e isso, de alguma forma, acaba se convertendo num escapismo, que se desenvolve num mundo paralelo criado por ele mesmo. Gente, o filme é lindo demais, mas é muito triste porque nenhum filme cuja mãe do protagonista está morrendo de câncer pode ser animado, certo? Mas vale muito a pena. Ah, e deixem o lencinho ao lado da TV!

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