quarta-feira, 30 de agosto de 2017

TAG LITERÁRIA - AGOSTO/2017 - RAGTIME


Terminei de ler esse livro exatamente no dia da minha viagem. Ufa! Vou falar que no começo não curti muito, achei esquisito, achei bagunçado e estava lendo porque “tinha que ler”. Mas depois, acho que acabei entendendo o negócio proposto pelo autor e comecei a gostar bastante desse livro super diferente. Hoje posso dizer que foi um dos melhores livros da TAG do ano.

Publicado na década de 70 e já considerado um “clássico contemporâneo”, o livro de agosto levará você aos Estados Unidos do início do século XX, época do Ford T, do rádio, do cinema, do início da produção em massa. Através de uma narrativa envolvente, o leitor encontrará personagens fictícios dialogando com celebridades como Sigmund Freud e Harry Houdini. Suba a bordo do Ford T e conheça a obra que rapidamente consolidou seu autor como um dos gigantes da literatura americana moderna.
O que causa estranhamento ao leitor nesse livro e, ao mesmo tempo o torna tão incrível são dois fatores. Primeiro, o autor traz à história fatos históricos e elementos reais, além de personagens muito conhecidos, como J.P.Morgan, Houdini, Emma Goudman, Henry Ford, dentre outros. A segunda questão é que no princípio, tais personagens, dentre outros, nos são apresentados em capítulos e suas histórias parecem não se conectar. É como se cada capítulo fosse uma história completa, com começo meio e fim, um livro de contos. Mas depois, elas começam a se entrelaçar e os personagens a se encontrar e tudo fica muito fantástico e interessante.

Nem sei como resumir a história a vocês. Mas ela é passada nos EUA, no início do século passado. Temos uma família, com o pai, a mãe, o filho, o avô e o “irmão mais novo da mamãe”. As pessoas não têm nome, simplesmente são identificadas dessa forma. Trata-se de uma família típica, sem muita anormalidade. O pai tem uma fábrica de produtos patrióticos, incluindo fogos de artifício, faz incursões ao Ártico e é meio frio – haha, super trocadilho. A mãe, o filho e o avô são absolutamente ordinários e o irmão da mamãe é uma espécie de elo entre todas as histórias e personagens. A Mamãe também é...
Um belo dia, Mamãe encontra uma criança negra no jardim. Esse fato é o início da parte divertida do livro. Mais tarde ela irá abrigar Sarah, a mãe da criança e o pai, um pianista negro famoso, irá visitá-los aos finais de semana e, de certa forma, criar um laço com a família. Só que, em determinado momento, esse negro, que está bem de vida, se veste muito bem e é extremamente educado, vai sofrer uma situação absolutamente racista, que irá mudar completamente a sua vida e a vida de todos ao seu redor. Não posso falar mais nada senão vou contar a história toda, mas essa parte é incrível, porque tomamos conhecimento do início da luta dos negros pelos seus direitos e da questão da segregação.
Em outra tomada, temos Tateh, um judeu pobre, cartunista, que está sempre vivendo no limite e só não desistiu ainda porque tem uma filha para criar. Ele vai se envolver nos mais diferentes tipos de tarefas, até se encontrar como cartunista e, após, se tornar famoso no mundo do cinema. Sua vida também irá se entrelaçar com a de outros personagens, principalmente com a da família.
Esses são os personagens mais importantes. Harry Houdini surgirá em diversos momentos, mas só para tornar a coisa toda mais interessante e contextualizar a história. J.P. Morgan e Henry Ford também serão personagens de algumas discussões, assim como Emma Goldman, a anarquista. É tudo bem maluco e interessante e o que eu mais gostei foi que a histórica fica morna e, de repente, dá uma guinada louca para um lado absolutamente inesperado. E era exatamente essa a idéia do autor quando escreveu o livro ao ritmo de “Ragtime”!

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