quinta-feira, 10 de novembro de 2016

LIVRO - OLIVER TWIST

Que livro, minha gente!!! Mas antes de começar falando dele e da história, propriamente dita, eu quero situá-los sobre a época em que foi escrito e falar um pouco do grande Charles Dickens (1812-1870). Na época em que o escritor nasceu, a Inglaterra não passava por um bom período e o país estava mergulhado em pobreza e fome. E através de seu grande talento de escrita, sua fama e posição na sociedade, o escritor utilizava-se de sua condição para não só retratar esse cenário como fazer altas criticas. Por isso, Oliver Twist, que foi o único romance que li do Charles Dickens, é bem caricato e tem passagens bem terríveis, porque o objetivo era chamar atenção para os problemas da sociedade e impressionar o leitor - pelo menos com relação a mim, ele conseguiu!
a capa já é tão triste!!!
Oliver Twist tinha seus capítulos publicados em folhetins semanais e retrata a história de um garotinho órfão, que dá nome ao livro, e as suas desventuras para apenas sobreviver. Durante todo o livro, ele sofre e sofre e sofre e você acha que não há mais lugar no mundo para tantas injustiças e maldades. O coitadinho parece se deparar apenas com gente da pior espécie e a cada dia se afundar mais. O livro retrata uma Londres suja em todos os sentidos, com poucos honestos e benfeitores, mas em sua maioria vagabundos, bandidos, oportunistas, pessoas muito cruéis e desumanas. 

E há passagens do livro que são extremamente chocantes, mas ao mesmo tempos extremamente bem escritas e eu tomei a liberdade de trazê-las para esse post. Acho que nunca vi alguém descrever tão bem e de forma tão delicada a pobreza. Lembrando que o livro é muito bem escrito, mas ao mesmo tempo tem uma linguagem fácil e flui bem porque há muitos capítulos.

"Era uma dessas noites sombrias, em que a gente que tem de seu vai colocar-se à roda de um bom fogo e dá graças Deus não estar fora;  em  que  os desgraçados sem abrigo e sem pão adormecem para nunca mais acordar; em que mais de um pária das nossas cidades, magros de fome, fecham os olhos na calçada da rua para só os abrir em um mundo que não lhes pode ser  pior,  quaisquer que sejam os crimes que cometeram  neste."

"quando vinham as longas e tristes horas da noite, punha as mãozinhas diante dos olhos para não ver a escuridão. "

"achou logo seu lugar; filho da paróquia, órfão do asilo de mendigos, vítima da fome, destinado aos maus-tratos, ao desprezo de todos, à piedade  de ninguém".

E quero dizer que não pretendo ver o filme porque acho que o livro já me trouxe tristeza e sofrimentos demais por uma vida inteira!!1

terça-feira, 8 de novembro de 2016

SÉRIE LAND GIRLS

Eu gosto muito de filmes, livros, séries, enfim... histórias antigas, principalmente quando ambientadas na primeira metade do século XX. Leio muito sobre o assunto, especialmente sobre a Segunda Guerra Mundial. Mas, nunca tinha ouvido falar das Land Girls, que eram garotas em idade militar que eram recrutadas pelas fazendas no interior da Inglaterra para trabalhar na terra. Enquanto os homens iam efetivamente para a frente de batalha, essas mulheres trabalhavam na lavoura, cuidavam dos animais, ajudavam com o racionamento de comida, enfim, faziam a coisa toda funcionar para que o país não morresse de fome. 

E essa série da BBC retrata exatamente isso, com uma pitada de romance, de drama, intrigas, etc. Ela mostra direitinho como era a vida dessas pessoas, muitas delas com os próprios maridos na guerra, sem nada a perder, porque tiveram suas casas destruídas. E mostra também um pouco sobre como até mesmo a vida dos mais abastados foi afetada, uma vez que tiveram que ceder espaço de suas terras e até de suas próprias casas para os soldados. A série é de 2009 e foi exibida para comemorar os 70 anos do final da Segunda Guerra.
foto de land girls da vida real
A parte boa dessa série disponível no Netflix - em 3 temporadas de apenas 5 episódios cada - é que ela é super gostosinha, a gente se apega aos personagens, torce para alguns deles e eu amo saber mais sobre essa parte da história e ver as roupas. O ponto negativo é que eu acho que todos os assuntos ali abordados, tanto a parte da própria guerra e de como as pessoas ali viviam como até mesmo as próprias relações entre as personagens são muito rasas. Acho que tudo poderia ser melhor abordado e explorado. Por exemplo, se um casal briga em determinado episódio, logo depois eles retornam juntos, como se nada houvesse acontecido e você simplesmente deve imaginar que rolou um perdão e está tudo certo, rs!!! No mais, a série é ótima. Assistam!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

AGATHA CHRISTIE – LIVRO – O DETETIVE PARKER PYNE

É o seguinte, por influência absoluta da minha mãe, eu sempre fui muito fã da musa dos romances policiais do século XX, nossa amada Agatha Christie. Já li incontáveis livros escritos por ela e a grande maioria é bem legal, sendo curtinhos, facinhos de ler e impossíveis de serem desvendados antes do grande final!

E como eu gosto muito e como sou uma grande viciada em livros, eu tenho um projeto: ler todos os livros dela até os 40 anos. Hahah, a louca!!! Mas é essa a idéia e é isso o que eu pretendo. Como já faz muito tempo que li alguns de seus livros, pretendo relê-los, aproveitando que há uma porção lá em casa. E o que eu vou fazer em todos os posts dela é colocar o resumo trazido na contracapa e, depois, colocar minhas considerações, ok?

Pois bem, o primeiro será O Detetive Parker Pyne, que é uma releitura desse modelito vintage da minha mãe, porque a edição amarelada é de 1987. O original é de 1934. Vamos ao resumo da contracapa: “Especialista em estatística, dono de uma mente muito viva e um grande conhecedor da natureza humana, Parker Pyne utiliza estas qualidades para ser uma espécie de vendedor de felicidade. Mas o bondoso e aparentemente inofensivo detetive não se limita a solucionar os problemas de mulheres ciumentas, maridos fracassados ou militares da reserva: também cabe a ele enfrentar ladrões, seqüestradores e assassinos. Para eles, Pyne prepara as armadilhas mais engenhosas, demonstrando que uma mentira oportuna pode ajudar a descobrir a verdade. Estas doze histórias variadas e divertidas sobre o curioso personagem mostram o inigualável senso de humor que tornou Agatha Christie famosa em todo o mundo.”

Pois bem, nesse livrinho de quase 200 páginas você não vai encontrar a famosa Miss Marple ou o famoso Hercule Poirot, mas o simpático Parker Pyne. E não se trata de uma história completa, mas de um compilado de contos envolvendo esse detetive que embarca em casos muito perigosos ou simplesmente em situações mais corriqueiras, com vistas a recobrar a felicidade das pessoas. Não é o meu favorito da Agatha (íntimas!), mas é uma leitura gostosa que me acompanhou na volta da viagem à Buenos Aires!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

BUENOS AIRES - DIA 03 - TEATRO COLÓN + CENTRO + PUERTO MADERO

Terceiro dia de viagem, até gravei um videozinho de compras que, btw, não estou conseguindo colocar no ar, mas tenho fé!!! Pois bem, na madrugada de quinta para sexta ventou muito, fez muito frio e a temperatura caiu demais. Quando acordei nesse dia, estava fazendo 9 graus, mas a sensação térmica estava muito menor do que isso. De verdade, não me lembro de um dia na minha vida em que eu tenha sentido um vento tão gelado. Sabe quando corta o rosto e as lágrimas começam a cair o tempo todo? Horrível. Estava bem agasalhada e apesar de o look estar meio masculino e sem glamour, o importante é que eu estava quente.
lukito: camisa Isabela Giobi para C&A, suéter MNG, calça H&M e bota Timberland. Comidinhas do dia
Pois bem, a primeira parada foi o Teatro Cólon, que fica muito próximo ao hotel. O prédio foi inaugurado em 1908 e desde então, vem sendo palco de óperas, balés e orquestras. O projeto foi desenvolvido por três diferentes arquitetos, sendo dois deles italianos e o interior é a coisa mais impressionante que já vi na vida. É lindo demais, é tudo original da época, com pouquíssimas mudanças, apenas para fins de segurança. A inspiração foi nos teatros de Paris e Milão e o Cólon é todinho feito em diferentes tipos de mármore, as pastilhas do chão foram instaladas uma a uma artesanalmente e são inglesas, os vitrais franceses e por aí vai.
prédios lindos no meio do caminho
a arquitetura de BsAs é muito bonita
A acústica é considerada uma das mais perfeitas do mundo e muita gente famosa já se apresentou por lá. A visita guiada, apesar de um pouco salgada (250,00 - todos os valores do post estão em pesos), vale cada centavo porque o lugar é incrível e a guia foi ótima. A visita tem em média 50 minutos de duração, mas o nosso grupo era perguntador e acabou rendendo 1:30hs! Recomendo com amor e vejam se dá para comprar pela internet antes ou chegar bem cedo porque as visitas são concorridas e costumam lotar.


De lá, segui para o Palácio de Águas Corrientes que é um prédio absurdamente maravilhoso que foi construído no início do século passado para "esconder" a caixa d'água e o saneamento básico da cidade. Basicamente isso!  Foi construído em 1894, quando a cidade estava sofrendo com muitas doenças, como cólera e febre tifoide, então, foi um grande passo. O edifício é visitável, mas a verdade é que as visitas guiadas ocorrem apenas às 11 horas, o que já tinha passado, o interior não é glamuroso como o exterior e já era quase 12:30hs e eu estava morrendo de fome. Por isso, fiquei só com as fotos externas e segui para as Galerias Pacifico.
Ainda o Colón, porque eu não me canso!

Notem que apenas metade do dia havia se passado e eu já havia andado horrores! Segui para as Galerias Pacifico que são um mini shopping, com lojas boas, banheiros, praça de alimentação e uma decoração muito bonita. É um ponto turístico bem conhecido por aqui e você vai ouvir bastante o nosso idioma no local. Almocei por lá, num restaurante chinês chamado Magic Dragon e comi um prato caprichado por 110,00 (os valores estão todos em pesos). Segui para a Calle Florida, que é uma rua comercial do centrão, nada mais. Ela tem bastante fama e está sempre apinhada de turistas. Mas as lojas são ruins, há pessoas em todos os lados te chamando para visitar lojas, casas de câmbio, etc.... Mas acho que vale apenas pela arquitetura porque Buenos Aires inteira é muito linda e os prédios encantam.
Palácio de las Águas Corrientes
A Florida termina na Plaza de Mayo, bem atrás do Cabildo. Ponto turístico obrigatório na cidade. Por lá, temos a Catedral, que é super diferente porque por fora, ela não tem formato de igreja, mas por dentro, é lindíssima. Está num estado bastante desgastado, mas havia restauradores por lá quando visitei. Além de se admirar com toda a beleza, você também visita o túmulo do libertador San Martin, guardado por dois soldados e a bandeira argentina. A catedral foi originalmente construída no século XVI, mas foi reconstruída diversas vezes até chegar nesse modelo que conhecemos hoje, que remonta do século XIX.
Galerias Pacifico

Mais adiante, a praça com seus protestos, pixaçōes e tudo o que um local político pode guardar. E adiante, a famosa casa rosada, cujos detalhes serão melhor fornecidos no próximo post, porque eu fiz uma visita guiada no dia seguinte. No mais, ela é o escritório da presidência da república, é de lá que o Presidente Maurício Macri despacha todos os dias.
Plaza de Mayo
Catedral

Terminei o dia em Puerto Madero, que fica na parte de traz da Casa Rosada. Lá funciona um porto, no Rio da Plata, operante como o porto de Santos, só que numa escala BEM menor. O que eles fizeram foi transformar o lugar, que era bem degradante, como a maioria dos portos, numa espécie de píer dos barzinhos e restaurantes. O lugar ficou muito bonito, é bem badalado e guarda diversos endereços interessantes. Os brasileiros costumam frequentar o local para comer o churrasco argentino abrasileirado. Honestamente, não recomendo, porque acho que temos que experimentar sabores locais. No mais, vale super a visita porque o lugar é lindo.
Puerto Madero

Próximo post, Recoleta!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

LIVRO E FILME - MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA

LIVRO 

Mais uma leitura completada... estou uma máquina, rs!!! Sério, acho que o bichinho da preguiça da leitura tomou umas vitaminas e agora eu simplesmente não consigo parar de ler, leio vários livros ao mesmo tempo e notei que o sistema tem funcionado bastante bem. Eu ando até um pouco atrasada com as resenhas, porque estou lendo mais rápido do que consigo postar, mas acho que estou numa média de 2 livros por semana! Bem, vamos a resenha desse livro que foi uma grata surpresa, foi lido em apenas 3 dias e me deixou muito encantada.
Quando comecei a leitura, eu só sabia que havia um filme homônimo, que acabei assistindo depois, que a capa era super bonita e que ele era um clássico. Não sabia nada sobre a história, a forma de escrita da autora, nada! Aliás, um fato curioso, e que eu acho que ajudou a tornar a leitura mais fluída, é que não há capítulos ou qualquer tipo de divisão no livro, a escrita é feita de forma direta, mesmo com o tempo passando loucamente e coisas acontecendo em diferentes partes do cenário. Achei muito incrível isso e acho que o escritor tem que ser realmente habilidoso para conseguir essa proeza, rs!

Bem, o livro não é antigo, ele foi escrito em 2002 pela escritora Tracy Chevalier e mistura ficção e história. Para quem não sabe – eu não sabia! – o nome do livro remete ao nome de um quadro pintado pelo holandês Johannes Vermeer em meados de 1665. E o “tchan” do quadro, além dele ser incrivelmente belo e muito bem conduzido, é que ele tem um Q de Monaliza porque ora a Moça parece triste, ora parece sensual... ela é bem misteriosa. E foi baseado nesse mistério, que a escritora desenvolveu um romance belíssimo sobre essa moça, Griet.
No livro, ela vem de uma família de três irmãos e é filha de um pintor de azulejos que fica cego. Com a ausência do ofício do pai para sustentar a família, Griet se vê na condição de trabalhar de criada na casa do pintor Johannes Vermeer. E é nessa nova condição que vamos tomando contato com as várias facetas dessa personagem e daqueles que estão ao seu redor, além de situações de extrema contradição. Por exemplo, ela é protestante e EXTREMAMENTE puritana, mas vê seu corpo respondendo a desejos que não consegue controlar; ela é uma pessoa que preza, antes de qualquer coisa, pela higiene, no entanto, seu pretendente é um açougueiro com sangue debaixo das unhas – eu acho incríveis essas passagens nas quais ela menciona as condições de higiene dela e daqueles que estão ao seu redor.
E nesse contexto, ela vai se envolvendo de diversas formas com os personagens, que são o pintor, por quem ela guarda uma preferência, um amor platônico, Catharina, a esposa do pintor, que está sempre grávida, as crianças, a mãe de Catharina, a outra criada, seus pais e irmãos, o açougueiro. O livro é extremamente delicado, descritivo, porém não enfadonho, tem uma linguagem bem fácil e fluida e, de quebra, traz um panorama bem interessante sobre a vida na época. Gostei bastante!

FILME


Dai na semana seguinte eu assisti ao filme homônimo, com a Scarlet Johanson no papel de Griet e o Colin Firth como Vermeer. O que eu achei foi o seguinte: a fotografia é absolutamente maravilhosa, todas as cenas parecem uma pintura e eu acho que o filme retrata muito bem a época. Também achei que os personagens estão muito bem em seus papéis e eles são exatamente como eu imaginava. 

Mas, é difícil ler um livro e depois assistir a uma espécie de super resumo dele. Isso é normal, não dá para colocar todos os detalhes de um livro em 2 horas de filme, ficaria impraticável. Mas eu acho que um bom filme inspirado em livro é aquele que consegue captar a essência da história, daquilo que a escritora quis retratar é nisso o filme pecou um bocado. A gente simplesmente não sabe quem é Griet no filme, quem foi essa moça que deu origem àquele quadro tão misterioso, quais as circunstâncias, os aspectos, etc. A verdade é que eu acho que se não tivesse lido o livro, ficaria meio perdida na mudança tão repentina de cenários e situações. 

PIGMENTAÇÃO