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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

VIAGEM AO LESTE EUROPEU - DIA 12 - BULGÁRIA

Nesse dia eu calculei meio mal o horário de acordar e acabei fazendo as coisas meio na correria. Mas, no final sempre dá tudo certo. Me arrumei, tomei café da manhã no próprio apê e saí para encontrar o meu grupo do tour do dia no mesmo lugar onde havia encontrado no dia anterior, que ficava há uns 15 minutos andando. O destino: Bulgária! 

O grupo era bem interessante, composto quase totalmente por orientais de diversas partes da Ásia, incluindo um casal de senhores indianos, gente de Singapura, e outros lugares. Mas havia também americanos e canadenses, a maioria, jovens. Acabamos atrasando a saída porque havia um pessoal que tinha esquecido o passaporte em casa – o povo não lê as instruções é nisso que dá. E a  guia não escondeu a insatisfação e o mau humor.

Andamos uns 40 minutos na minivan e fomos para a fila da fronteira. Nesse momento, a guia nos explicou que o trâmite poderia durar alguns minutos ou algumas horas e que poderíamos ser parados para controle do passaporte ou não. No final, não fomos escolhidos (ainda bem)  e depois de 1 hora, cruzamos o Rio Danúbio e logo estávamos na Bulgária, numa região que parecia bem pobre e portuária.


A cidade fronteiriça, como a maioria, é bem simples e já dava pra notar um setor rural bem grande. Paramos para trocar dinheiro, porque teríamos de pagar pela primeira atração – e claro que havia uma galera na van que também não tinha lido sobre o assunto e não tinha grana para trocar. Aproveitamos e usamos o banheiro do lugar – tipo um posto de gasolina. Uns 40 minutos depois, chegamos na primeira parada:  Mosteiro de São Dimitrii de Basarbovo, que confesso que era o lugar que estava mais animada para conhecer.

“Trata-se de um mosteiro rupestre localizado na Bulgária, escavado diretamente nas rochas de um penhasco às margens do rio Rusenski Lom. É considerado o único mosteiro desse tipo ainda ativo no país e está ligado à tradição cristã ortodoxa.

O local é dedicado a São Dimitrii (Dimitar) de Basarbovo, eremita do século XVII venerado como santo pela Igreja Ortodoxa. Segundo a tradição, ele viveu em oração e isolamento nas cavernas da região, e sua vida simples e devota transformou o lugar em ponto de peregrinação religiosa.

O conjunto monástico inclui capelas, celas e pequenos espaços de culto talhados na pedra, conectados por escadas e passagens estreitas. Além da importância espiritual, o mosteiro também se destaca pela paisagem natural ao redor, sendo visitado tanto por fiéis quanto por turistas interessados em história, arqueologia religiosa e arquitetura rupestre.“

Confesso que pelas fotos do Get Your Guide, o lugar me parecia mais incrível do que realmente é, mas é adorável e bem impressionante. Muita escadaria (e causação com o casal de indianos), muita pintura nas cavernas, uma capela e muita coisa linda para ver. Na parte de baixo, há uma igreja ortodoxa mesmo, do tipo moderna e lá estava rolando um batizado. Aproveitamos a disposição do padre e tomamos um “passe”.

Depois de um xixi em pé (buraco no chão) em um dos banheiros mais nojentos em que eu já estive (detalhe que eu estava de calça), seguimos viagem – 2 horas em direção a Veliko Tarnovo, o verdadeiro destino do tour, onde ficaríamos por mais tempo.

“A Veliko Tarnovo é uma das cidades históricas mais importantes da Bulgária e foi capital do Segundo Império Búlgaro na Idade Média. Situada sobre colinas íngremes e cortada pelo rio Yantra, a cidade é conhecida por sua paisagem dramática, com casas antigas erguidas sobre encostas rochosas e ruas sinuosas que preservam o caráter medieval.

O principal marco de Veliko Tarnovo é a Fortaleza de Tsarevets, antigo centro político e religioso do império, onde ficavam o palácio real e a catedral patriarcal. As ruínas, muralhas e torres ainda dominam o horizonte e ajudam a contar a história do período em que a cidade foi um dos mais fortes centros culturais e administrativos da região balcânica.

Hoje, Veliko Tarnovo combina patrimônio histórico com vida cultural ativa. Possui universidades, museus, galerias e festivais, além de atrair visitantes pelo artesanato tradicional e pela arquitetura preservada. É um destino que une história, natureza e identidade nacional búlgara em um mesmo cenário.“

Primeiro, fomos na a Fortaleza de Tsarevets. O lugar é bem interessante, bem rústico e está em ruínas, mas a vista de lá de cima é muito impressionante. No topo, há uma igreja mais moderna, com murais muito interessantes que me lembraram as pinturas de El Greco. Chegar lá em cima foi uma verdadeira peregrinação. Super alto, muitas escadas... eu cheguei esbaforida e com as panturrilhas gritando.

O rolê durou cerca de 1 hora e 10 minutos depois, com uma pequena caminhada, estávamos na cidadezinha, onde tivemos 2 horas livres (14/16). Como a cidade era lotada de lojinhas, eu fui logo explorar todas elas e saí de lá com um carregamento de artigos típicos e comidas diferentes. O dinheiro búlgaro é bem desvalorizado e tudo por lá é mais barato do que nos outros lugares em que havia estado nos outros dias.

Comi uma bureka de queijo e achei que seria o suficiente, mas já faltando meia hora para ir embora, inventei de comer uma salada num restaurante. Na verdade, a idéia também era usar o banheiro, já que de lá, voltaríamos para a Romênia e sei lá quanto tempo demoraria na estrada. Estava muito bom, mas acho que acabei comendo mais rápido do que precisava com medo que não desse tempo.

Acabamos chegando na fila da fronteira às 18:30hs e, novamente, ficamos em torno de 1 hora por lá, sem checagem nenhuma de passaporte. Cheguei no apê umas 20:30hs! Eu curti demais esse dia e é sempre bacana dar “check” num país novo. Mas a real é que a pessoa tem que estar  disposta a ficar mais tempo dentro da van do que nas atrações em si. Mas foi um dos dias mais legais da viagem, sem dúvida.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

VIAGEM AO LESTE EUROPEU - DIA 11 - BUCARESTE

Dormi muito mal novamente porque meus vizinhos de cima seguiam empenhados em ceifar meu sono. Eles ficaram na festa até umas 4hs da manhã... enfim, levantei, me arrumei, fiz o café da manhã com os ingredientes que havia comprado no dia anterior no supermercado e umas 09:30hs saí para dar uma volta. Eu tinha um tour agendado, mas era só às 10:30hs e eu não ia perder tempo dentro do apê.

Já no ônibus, cheio de turistas italianos, a primeira parada seria o Museu Nacional da Aldeia Dimitrie Gusti - um museu a céu aberto, em Bucareste, dedicado à cultura rural romena. Reúne casas, igrejas, moinhos e outros edifícios tradicionais, trazidos de diferentes regiões do país, mostrando o modo de vida, a arquitetura e as tradições do campo romeno ao longo dos séculos. É um lugar fofíssimo e que, se não fosse pelo tour, eu não teria ido, porque fica super fora de mão.

A parte chata é que, estando com um tour, a gente tinha horário limitado para ver cada uma das casas e não deu pra ver tudo. Mas, para ser bem honesta, acho que o tempo que ficamos por lá foi suficiente e fiquei bem satisfeita.

De lá, partimos para a Casa do Ciaucescu, um rolê bem controverso!! Apenas para situar na história, Nicolae Ceaușescu foi o líder comunista da Romênia de 1965 a 1989. Governou o país como ditador, com forte repressão política, censura e um culto à personalidade. Nos anos 1980, impôs políticas econômicas extremamente duras para pagar a dívida externa, o que levou a escassez de alimentos, energia e bens básicos. Seu regime caiu durante a Revolução Romena de 1989; ele e sua esposa, Elena, foram presos, julgados sumariamente e executados.

MAIOR CATEDRAL ORTODOXA DO MUNDO - AINDA ESTAVA PARA SER INAUGURADA QUANDO ESTIVE POR LÁ 

Nesse dia, ouvi tantas histórias bizarras sobre esse casal e suas peripécias, que fiquei completamente chocada. O Ciaucescu tinha mania de grandeza e isso vimos bem com a casa dele e com o Parlamento, onde fomos depois.

Para entrar na casa, ficamos um tempo (mais de uma hora), esperando do lado de fora. A verdade é que poderíamos ter usado essa hora lá nas vilas e visto mais coisas, mas tudo bem. A entrada é guiada, tem que colocar protetor nos pés, não pode tirar fotos... várias regras. A Casa Ceaușescu, também chamada Palatul Primăverii (Palácio da Primavera), foi a residência oficial de Nicolae Ceaușescu e sua família entre 1965 e 1989. Hoje funciona como museu e mostra o luxo do regime: salões amplos, decoração sofisticada, piscina interna, cinema privado e jardins — em forte contraste com a escassez vivida pela população romena na época.

É o lugar mais absurdamente imponente que já vi. A decoração é um misto de exageros do final do século XIX com estamparias da década de 1970 e muito ouro, muito glamour. Não é especialmente bonito, mas é muito luxuoso e extravagante. Eles tinham um piscina olímpica interna... um jardim com plantas raras... e o que dizer do closet deles??? E tudo isso, considerando que os romenos viviam com rações para sobreviver... é absolutamente revoltante.

Por fim, fomos ao último destino do dia, que era onde eu realmente estava querendo ir: o Parlamento. É um dos prédios mais impressionantes (e controversos) do mundo. Também conhecido como Casa do Povo, foi mandado construir por Nicolae Ceaușescu nos anos 1980 como símbolo do poder do regime comunista. Hoje abriga o Parlamento, museus e espaços institucionais.

É um dos maiores edifícios do mundo: é considerado o maior prédio administrativo da Europa e um dos mais pesados do planeta – ele, inclusive, está afundando. Tudo o que está lá dentro foi construído com mão de obra e materiais romenos.  Tem mais de 1.000 salas, muitos salões monumentais e vários níveis subterrâneos (inclusive abrigos). Bairros históricos inteiros de Bucareste foram demolidos para dar lugar ao edifício (essa história me deixou chocada)

É visto até hoje como símbolo do desperdício e da megalomania do regime, especialmente em um período de grande pobreza no país. A verdade é que o Parlamento hoje configura um gasto imenso aos cofres públicos, não tem função nenhuma. Pouquíssimos salões e setores são utilizados. Eles alugam espaços para convenções e até para casamentos. Em resumo: o Parlamento de Bucareste é ao mesmo tempo marco arquitetônico, atração turística e lembrança pesada do passado comunista da Romênia.

Com o fim do passeio, que foi bem rico e interessante, fui dar um passeio pelo centro da cidade – lembrando que o meu apê era bem central e próximo ao Parlamento e ao ponto de encontro do tour. Acabei passando sem querer por uma feira artesanal, onde me encantei pelo trabalho de uma artesã grega e adquiri dois brincos.

E o dia terminou com uma grata surpresa. A rua do meu apê, que é uma das mais famosas da cidade, estava fechada – tipo aV. Paulista aos finais de semana. E as pessoas andavam livremente, a pé, com bike, etc. e bem, próximo de onde eu estava, estava rolando uma festa com música ao vivo, danças típicas, e estava absolutamente lotado. Eu fiquei encantada. Arranjei um canto e fiquei por lá absorvendo tudo. Depois acabei voltando pra casa porque no dia seguinte teria de acordar bem cedo, mas mesmo de casa, dava para ver a festa e ouvir a música. Foi bem especial.

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

VIAGEM - LESTE EUROPEU - DIA 01 - PARIS

Vamos começar do começo, pelo dia anterior. Saí de casa pouco antes das 14hs, meu pai me levou ao aeroporto. Pegamos um pouco de trânsito, mas mesmo assim, cheguei bem antes do check in abrir e fiquei um tempão na frente do balcão da Air France. Fui atendida já eram quase 16hs.

A parte do Raio X foi super tranquila, mas a imigração foi outro BO: pouquíssimas pessoas atendendo e ainda peguei troca de turno. No final das contas, cheguei no Lounge da Nomad pouco depois das 17hs e confesso que achei bem caído e com poucas opções. Mas deu para forrar o estômago.

Acabei ficando pouco por lá e decidi me dirigir ao portão de embarque – 427, já que se aproximava da hora. Fui uma das ultimas a entrar e descobri que tinha uma mulher com uma bebê no meu assento. Eu tentei explicar, ela era gringa, não entendeu nada e eu acabei sentando no lugar dela, porque era praticamente a mesma coisa, não fazia diferença (assentos 30D e 30H). E esse lugar no avião é maravilhoso, porque tem muito mais espaço para as pernas. O resultado é que eu consegui dormir bastante e cheguei no destino sem dores.

A merda é que o cara do meu lado era bem espaçoso e invadia o meu espaço. A outra merda é que um dos banheiros estava interditado e o outro estava com necessidade de manutenção. O jantar foi serviço quase duas horas depois da decolagem – penne com molho vermelho, queijo e azeitonas, salada de repolho, pão, cream cheese e uma sobremesa amarela meio mousse.

Assisti a um filme catalão “Casa em Flamas”, contamos com uma certa turbulência, mas o bom é que o tempo passou bem rápido. Quando já estava próximo do pouso, ainda ouvi a uma playlist de rock que ajudou ainda mais a passar o tempo. Serviram café da manhã: pão de queijo, iogurte, frutas, suco, geleia e café com leite. O avião acabou pousando um pouco atrasado, mas a liberação foi bem rápida.

O que demorou foi atravessar o aeroporto todo, que é grande, sentido RER B, já que a idéia era explorar a cidade!! Peguei um metrô até o Terminal K e fiquei um certo tempo na fila da imigração, que acabou sendo super tranquila. Às 13:05 eu já estava dentro do trem sentido cidade. E eu só pensava em quão sortuda eu sou por estar em Paris! Mas, nesse momento, meu telefone tocou e eu descobri que minha avó estava passando mal, o que me deixou um pouco abalada (a viagem toda).


Quase 1 hora depois o trem parou na Estação Notre Dame, e eu saí com aquela vista incrível com prédios perfeitos de Paris. Em frente à igreja – que  eu pretendia entrar, mas estava com uma fila imensa -, construíram uma espécie de arquibancada. Estava bem cheio, muitos turistas. Eu notei algumas mudanças na cidade, para melhor. Daí, como não tinha tanto tempo assim, mas queria explorar o máximo que desse, fui andando margeando o Sena e entrei na minha amada Igreja St. Severin.


Segui andando até o Louvre. Fui pelas Tulleries, mas do lado de fora, porque por dentro estava infernal (estava muito quente e eu estava carregando uma mochila pesada) e cheguei na Place de la Concorde, recém reformada. Nesse momento, poderia ter avançado através de metrô, ou pego um metrô para Les Halles, que era meu destino final. Mas eu resolvi ir andando, mesmo exausta – fora a vontade de fazer xixi.

Eu acho que, na verdade, não queria simplesmente “bater ponto” nos lugares icônicos, queria observar e absorver aquela cidade que tanto amo. Entrei na Igreja de St Eustachio, que também é belíssima e depois no shopping, onde finalmente pude usar o banheiro e desfrutar de um pouco de sombra. Por lá, peguei o RER B de volta ao aeroporto e ele foi mais rápido, praticamente não parou em quase estação alguma. Então, acabei chegando até que bem cedo: 16:30hs.

Comi um quiche e tomei uma limonada no Paul do aeroporto e segui para o embarque. Comprei umas tranqueiras para comer e fui para o Portão F55 do terminal 2. Conversei com meus pais, principalmente sobre a minha avó, e fiquei aguardando o embarque, lutando contra o sono. O portão mudou 3 vezes, de modo que não deu para sentir tédio! Aí, o voo, que já era tarde, resolveu atrasar: ao invés de sair às 20:50hs, ia sair às 21:30hs. Na verdade, vários voos estavam atrasados por causa do mau tempo.

Ficamos um tempão dentro do avião aguardando – sem saber, na verdade, se o avião iria de fato sair. Estava com muito sono e com dor de cabeça. Mas deu certo, apesar de que a primeira meia hora de voo foi pura turbulência pesada. Serviram um sanduichinho para forrar o estômago e suco de tomate, que adoro. Nesse momento, além do cansaço, de estar precisando de um banho e tals, eu estava apreensiva: será que minha mala vai estar lá? Será que o taxista que contratei vai estar lá? Será que vou conseguir entrar no hotel com todos os códigos, senhas, etc?

Bem, saí do avião super rápido, peguei minha bagagem mais rápido ainda e o taxista foi ótimo. Me mandou várias mensagens e me pegou no ponto combinado. Pra ajudar, já que já estava super tarde, ele andou que nem um louco em direção ao hotel, que ficava a uma meia hora de distância do aeroporto. E acabei chegando no hotel junto com outros hóspedes, de modo que não tive de lidar com todas as senhas logo de cara. E como o elevador estava quebrado e eu ficaria no terceiro andar, um deles me ajudou a subir com a mala. No final, fui dormir em tono de 2hs da manhã, mas feliz de ter dado tudo certo!