segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

VIAGEM AO LESTE EUROPEU - DIA 07 - PECS

Mais uma vez, acordei cedo porque em viagens não podemos desperdiçar tempo algum. Esse seria meu último dia na bela Hungria e meu destino era a cidade de Pecs. Depois de ter tomado Prelone na noite anterior – porque minha alergia misteriosa estava bombando, havia acordado um pouco melhor e menos dolorida. Às 6:50hs saí do quarto em direção à já conhecida e bela Estação Keleti. Passei no Starbucks para um café e me preparar para 3 horas de viagem.

“Pécs é uma cidade e um condado urbano (megyei jogú város em húngaro) da Hungria, localizada no sudoeste do país. É a capital do condado de Baranya e a quinta maior cidade do país. No passado, era conhecida pelo nome alemão de Fünfkirchen. A Universidade de Pécs, fundada em 1367, é das mais antigas do mundo.”

Na cidade, de cara fiquei encantada com a estação de trem super Art Déco. Os lustres eram um escândalo de lindos! Ao contrário do que costumo fazer em minhas viagens, eu meio que cheguei em Pecs sem nada planejado. Eu não tinha muita noção do que tinha para fazer por lá e nem tinha planejado nenhum roteiro. Estava meio que no free style.

Saindo da estação, fui apenas andando em direção ao centrinho histórico, bem devagar e sem pressa, apenas admirando a paisagem, entrando em lojinhas e tirando fotos. E, de cara, a primeira coisa que eu vi foi a praça principal, bem grande, em forma de ladeira. De um lado dela, havia uma igreja simples, mas com uma fonte linda na frente. Do lado oposto, o que parecia ser uma antiga mesquita, mas que depois vim a saber que havia sido transformada em igreja.

Resolvi começar por ela. “Mesquita do Paxá Qasim (Gazi Qasim Pasha Mosque), uma impressionante construção otomana do século XVI, localizada na praça central Széchenyi, famosa por sua arquitetura e por ter sido convertida em igreja católica, sendo um raro exemplo de edifício islâmico otomano quase intacto na Hungria, com seu minarete ainda de pé, e um local histórico único onde se veem vestígios da ocupação turca e sua transformação em local de culto cristão”

Por dentro, ela ainda tem toda cara de mesquita, porque não modificaram seu formato, por exemplo, mas há túmulos, cruzes para todos os lados, imagens... é meio que uma fusão doida entre as duas religiões. Importante dizer que nesse local, quando comprei o ingresso, tomei conhecimento de que algumas das atrações da cidade já estavam esgotadas para o dia, o que é triste, mas era de se esperar visto a minha falta de planejamento.

De lá, parti para a rua principal, que desemboca na praça, cheia de restaurantes e lojinhas. Fiquei meio que flanando por lá, porque a real é que ainda não tinha entendido muito bem a cidade e para onde ir. Faminta, acabei me deparando com um mini shopping, que não só contava com praça de alimentação, como com banheiros, e ar condicionado, 3 ótimos motivos para ficar por lá por um tempo. Acabei escolhendo comida chinesa, que é sempre barata e enche o bucho. Dei uma volta depois para aproveitar um pouco mais e esperar fazer a digestão, pois estava com medo de passar mal.

Próximo ponto: Catedral. “As fundações da catedral de Pécs datam do período romano, por volta do século IV. Acredita-se que no local da atual catedral existiu uma basílica paleocristã, que se estendeu para oeste entre os séculos VIII e IX. Durante o reinado de Estêvão I, decidiu-se modificar a construção e, presumivelmente, as duas torres ocidentais datam desse período. Após um grande incêndio em 1064, foi realizada a construção da basílica românica, com a participação de arquitetos italianos. "

"Na Idade Média, a igreja foi ampliada com duas torres laterais e capelas góticas. Após os danos e a degradação causados ​​pela ocupação turca (1543-1686), houve tentativas de restaurar o edifício. A aparência neorromânica atual é resultado da reconstrução realizada entre 1882 e 1891, que seguiu fielmente os planos do arquiteto vienense Friedrich von Schmidt. A igreja tem 70 metros de comprimento, 22 metros de largura e uma altura de até 60 metros nas torres.

Essa origem românica é importante para entender o que eu veria no final do meu dia em Pecs. Mas, importante dizer que a catedral é belíssima, muito imponente e eu fiquei absolutamente maravilhada. As portas são lindíssimas! Dentro havia um senhor com folhetos informativos em diversas línguas e foi bacana para entender um pouco mais sobre aquele monumento tão belo e grandioso. A exemplo de outras igrejas na Hungria, ela era todinha pintada à mão, com muitos detalhes.

Ainda flanando, saí mais uma vez no calor insuportável do dia, com algumas horas ainda a minha disposição antes do retorno a Budapeste. Acabei encontrando muralhas, um banheiro público gratuito, um lado, e me parecia que estava num lugar bastante antigo, mas antigo mesmo! Me senti um pouco como num sítio arqueológico. E acabei encontrando um conjunto de escavações romanas antigas, super bem conservadas, o que pra mim, foi o ponto alto do dia.

Essas escavações se dividem em duas atrações pagas, que são próximas umas às outras e fazem parte da Necrópole Paleocristã (Sopianae), um vasto complexo de túmulos e capelas memoriais que datam do século IV d.C.. 

“Centro de Visitantes Cella Septichora: Este é o coração do sítio arqueológico e onde a maioria das ruínas visíveis está preservada dentro de um centro de visitantes moderno. O local abriga mais de 16 câmaras funerárias interligadas por passagens subterrâneas, que serviram como túmulos para os primeiros cristãos. Mausoléu Paleocristão: Parte do complexo da necrópole, este mausoléu contém afrescos bem preservados com cenas bíblicas, considerados alguns dos melhores exemplos de arte paleocristã na Europa.”

E dentro desses lugares, além de uma cidade inteira subterrânea, com afrescos, casas, dentre outros, há túmulos romanos extremamente bem conservados. Eu fiquei sem palavras com tanta beleza. Não esperava por aquilo e não conseguia me despedir para ir embora. Parecia que cada vez que eu olhasse para um lugar, me depararia com um detalhe diferente não percebido.

Depois de um dia com muitas belezas e essa surpresa no final, retornei para a estação linda Art Déco e fiquei por lá um tempo porque meu trem saiu com atraso. A sorte é que a estação, apesar de pequena, conta com lugares para comer e para esperar sentada. Cheguei no hotel umas 21hs e arrumei o restante da minha mala, deixando no ponto para ir embora no dia seguinte.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

VIAGEM LESTE EUROPEU - DIA 06 - BRATISLAVA

Acordei às 05:30hs com muita dor de cabeça e novamente muitas bolinhas vermelhas e manchas pelas pernas e braços. Me arrumei, tomei um remédio para dor de cabeça que resolveu o problema e saí às 06:30hs.

Cerca de 20min depois, andando em linha reta, cheguei à estação de trem, que não era a mesma que eu tinha usado na viagem à Godolo. Logo localizei o trem 712, com destino final em Berlin, mas que parava em vários lugares, incluindo meu destino final: Bratislava. O trem saiu às 7:30hs e às 09:15hs estava na última parada, com pretensão de chegada às 09:55hs e eu passei muito frio com o ar condicionado o caminho inteiro.

Eu cheguei na estação de Bratislava no horário marcado e fui caminhando por meia hora em direção à cidade antiga. No meio do caminho, me deparei com o Palácio de Grassalkovich, também conhecido como Palácio Presidencial (Prezidentský Palác) é a residência do Presidente da Eslováquia. Foi construído em 1760 como residência privada de um conselheiro da Imperatriz Maria Teresa que se chamava Anton Grassalkovich, por isso o nome do palácio. 


Mais uns 20 minutos e eu já estava no centro histórico, marcado por um arco bem antigo – o Portão de São Miguel. O portão, na verdade, é uma torre construída no século 14.

Na Rua Michalská – principal da cidade antiga -, bem em frente ao Portão, a gente vê no chão uns símbolos dourados em forma de coroa. Eles indicam o caminho que o rei percorria assim que era coroado. Nos dias de hoje, o trajeto é refeito todos os anos, na última semana de junho, numa celebração conhecida como a “procissão dos coroados” quando atores reencenam os passos dos monarcas da época.



Estava ventando gelado e apesar do sol forte, ficou assim o dia todo. De cara, amei a cidade, a parte histórica é uma fofura, cheia de restaurantes, lojinhas de souvenires e prédios antigos e lindos. Fiquei muito encantada e logo na primeira loja já fiz uma porção de compras: camiseta para o Tico, flores de porcelana, brincos de botão de vidro, enfeites. Mais tarde também comprei uma linda blusa num brechó, que tem aos montes espalhados pela cidade. Também comprei postais, imã de geladeira, pin e coisinhas para o Arthur.

Igrejinha ortodoxa no caminho para o castelo

Fui flanando pela cidade meio sem destino. Acabei entrando em dois únicos pontos turísticos: a Igreja de Catarina e o castelo, de modo que a compra do Bratislava Card se mostrou um grande fracasso! Para chegar ao complexo do castelo, tem que atravessar uma passarela. Ele fica no topo de uma colina de 85m de altura. A construção da fortaleza iniciou-se no século 10 e o prédio possui 4 torres, sendo a mais antiga do século 13. 


Entre 1387 e 1437 a reconstrução do Castelo de Bratislava foi feita em estilo gótico. Em 1562 converteu-se em um castelo renascentista, tendo sido reconstruído em 1649 no estilo barroco. Foi exatamente neste período que o Castelo de Bratislava foi convertido em sede real pela Imperatriz Maria Teresa da Áustria 


Em 1809 o castelo foi bombardeado pelas tropas napoleônicas e em 1811 foi incendiado, ficando em ruínas até 1950, quando foi novamente reconstruído no estilo da Imperatriz Maria Teresa. Desde a independência da Eslováquia o Castelo de Bratislava é a sede do Parlamento e abriga o Museu Histórico do Museu Nacional Eslovaco (Historické múzeum) que exibe coleções de arte eslovacas.

A real oficial: por fora ele é bonito, mas por dentro não tem nada. A parte dos tesouros, por exemplo, consiste em faqueiros, louças e afins. Bem pobrinho. Não há muito o que ser visto. Não há mobílias, obras de arte e nada muito incrível. Se soubesse, teria ficado só do lado de fora, porque a vista da cidade e do Danúbio é linda.

Voltei para a cidade antiga e tratei de ir comer. A verdade é que é bem difícil comer por lá porque há poucos restaurantes com fotos de comida, com menu em inglês e há um outro ponto: lá tudo é em Euro e, portanto, mais caro! Mas achei uma birosca de esquina, numa vielinha e, sem querer, pedi pelo prato típico eslovaco: Bryndzové halušky, que é como se fosse um nhoque, em formato menorzinho, servido com bastante molho branco (tipo creme de leite, muito suculento e bem temperado) e com uma cobertura à sua escolha. A mais comum é com bacon. Estava delicioso! O engraçado é que havia várias mesas ocupadas e uma única funcionária que servia e cobrava... fácil!


Andei bastante pelo centrinho que não é grande e até sobrou tempo. Creio que daria para entrar em alguns lugares indicados no Bratislava Card, mas era uma segunda e estavam quase todos fechados. Tomei um sorvete de pistache e comecei a fazer o caminho de volta, já que teria meia hora andando até a estação e mais 2hs de trem até Budapeste. A volta, na real foi bem cansativa, cheguei no hotel por volta das 21hs e minha alergia estava bem forte e isso me deixou bastante preocupada.

Para ajudar, pelo segundo dia consecutivo, não tinham arrumado meu quarto. Aproveitei para arrumar as malas, já que o dia seguinte seria meu último em terras húngaras.