Mais uma vez,
acordei cedo porque em viagens não podemos desperdiçar tempo algum. Esse seria
meu último dia na bela Hungria e meu destino era a cidade de Pecs. Depois de
ter tomado Prelone na noite anterior – porque minha alergia misteriosa estava
bombando, havia acordado um pouco melhor e menos dolorida. Às 6:50hs saí do
quarto em direção à já conhecida e bela Estação Keleti. Passei no Starbucks
para um café e me preparar para 3 horas de viagem.
“Pécs é uma
cidade e um condado urbano
(megyei jogú város em húngaro) da Hungria,
localizada no sudoeste do país. É a capital do
condado de Baranya e
a quinta maior cidade do país. No passado, era conhecida pelo nome alemão
de Fünfkirchen. A Universidade de Pécs, fundada em 1367, é das mais antigas
do mundo.”
Na cidade, de
cara fiquei encantada com a estação de trem super Art Déco. Os lustres eram um
escândalo de lindos! Ao contrário do que costumo fazer em minhas viagens, eu
meio que cheguei em Pecs sem nada planejado. Eu não tinha muita noção do que
tinha para fazer por lá e nem tinha planejado nenhum roteiro. Estava meio que
no free style.
Saindo da
estação, fui apenas andando em direção ao centrinho histórico, bem devagar e
sem pressa, apenas admirando a paisagem, entrando em lojinhas e tirando fotos. E,
de cara, a primeira coisa que eu vi foi a praça principal, bem grande, em forma
de ladeira. De um lado dela, havia uma igreja simples, mas com uma fonte linda
na frente. Do lado oposto, o que parecia ser uma antiga mesquita, mas que
depois vim a saber que havia sido transformada em igreja.
Resolvi começar
por ela. “Mesquita do Paxá Qasim (Gazi Qasim Pasha Mosque), uma
impressionante construção otomana do século XVI, localizada na praça central
Széchenyi, famosa por sua arquitetura e por ter sido convertida em igreja
católica, sendo um raro exemplo de edifício islâmico otomano quase intacto na
Hungria, com seu minarete ainda de pé, e um local histórico único onde se veem
vestígios da ocupação turca e sua transformação em local de culto cristão”
Por dentro, ela
ainda tem toda cara de mesquita, porque não modificaram seu formato, por
exemplo, mas há túmulos, cruzes para todos os lados, imagens... é meio que uma
fusão doida entre as duas religiões. Importante dizer que nesse local, quando
comprei o ingresso, tomei conhecimento de que algumas das atrações da cidade já
estavam esgotadas para o dia, o que é triste, mas era de se esperar visto a
minha falta de planejamento.
De lá, parti
para a rua principal, que desemboca na praça, cheia de restaurantes e lojinhas.
Fiquei meio que flanando por lá, porque a real é que ainda não tinha entendido
muito bem a cidade e para onde ir. Faminta, acabei me deparando com um mini
shopping, que não só contava com praça de alimentação, como com banheiros, e ar
condicionado, 3 ótimos motivos para ficar por lá por um tempo. Acabei escolhendo
comida chinesa, que é sempre barata e enche o bucho. Dei uma volta depois para
aproveitar um pouco mais e esperar fazer a digestão, pois estava com medo de
passar mal.
Próximo ponto: Catedral. “As fundações da catedral de Pécs datam do período romano, por volta do século IV. Acredita-se que no local da atual catedral existiu uma basílica paleocristã, que se estendeu para oeste entre os séculos VIII e IX. Durante o reinado de Estêvão I, decidiu-se modificar a construção e, presumivelmente, as duas torres ocidentais datam desse período. Após um grande incêndio em 1064, foi realizada a construção da basílica românica, com a participação de arquitetos italianos. "
"Na Idade Média,
a igreja foi ampliada com duas torres laterais e capelas góticas. Após os danos
e a degradação causados pela
ocupação turca (1543-1686), houve tentativas de restaurar
o edifício. A aparência neorromânica atual é resultado da reconstrução realizada entre 1882 e 1891, que seguiu
fielmente os planos do arquiteto vienense Friedrich von Schmidt. A igreja tem
70 metros de comprimento, 22 metros de largura e uma altura de até 60 metros nas torres.“
Essa origem
românica é importante para entender o que eu veria no final do meu dia em Pecs.
Mas, importante dizer que a catedral é belíssima, muito imponente e eu fiquei
absolutamente maravilhada. As portas são lindíssimas! Dentro havia um senhor
com folhetos informativos em diversas línguas e foi bacana para entender um
pouco mais sobre aquele monumento tão belo e grandioso. A exemplo de outras
igrejas na Hungria, ela era todinha pintada à mão, com muitos detalhes.
Ainda flanando,
saí mais uma vez no calor insuportável do dia, com algumas horas ainda a minha
disposição antes do retorno a Budapeste. Acabei encontrando muralhas, um
banheiro público gratuito, um lado, e me parecia que estava num lugar bastante
antigo, mas antigo mesmo! Me senti um pouco como num sítio arqueológico. E acabei
encontrando um conjunto de escavações romanas antigas, super bem conservadas, o
que pra mim, foi o ponto alto do dia.
Essas escavações
se dividem em duas atrações pagas, que são próximas umas às outras e fazem
parte da Necrópole Paleocristã (Sopianae), um vasto complexo de túmulos e
capelas memoriais que datam do século IV d.C..
“Centro de Visitantes Cella Septichora: Este é o coração do sítio arqueológico e onde a maioria das ruínas visíveis está preservada dentro de um centro de visitantes moderno. O local abriga mais de 16 câmaras funerárias interligadas por passagens subterrâneas, que serviram como túmulos para os primeiros cristãos. Mausoléu Paleocristão: Parte do complexo da necrópole, este mausoléu contém afrescos bem preservados com cenas bíblicas, considerados alguns dos melhores exemplos de arte paleocristã na Europa.”
E dentro desses lugares, além de uma cidade inteira subterrânea, com afrescos, casas, dentre outros, há túmulos romanos extremamente bem conservados. Eu fiquei sem palavras com tanta beleza. Não esperava por aquilo e não conseguia me despedir para ir embora. Parecia que cada vez que eu olhasse para um lugar, me depararia com um detalhe diferente não percebido.
Depois de um dia com muitas belezas e essa surpresa no final, retornei para a estação linda Art Déco e fiquei por lá um tempo porque meu trem saiu com atraso. A sorte é que a estação, apesar de pequena, conta com lugares para comer e para esperar sentada. Cheguei no hotel umas 21hs e arrumei o restante da minha mala, deixando no ponto para ir embora no dia seguinte.




















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